A primeira vez

A primeira vez do E-journal reúne os editores, autores e leitores. Pode-se considerar uma vez única. O E-journal é o começo de um novo projeto editorial. Esta experiência empreendida por um grupo de colegas, oferece-nos a oportunidade de estar ligados globalmente para além dos limites geográficos e em tempo virtual.
A pergunta fundamental é: Como poderá influenciar a cada um de nós e nos avatares da literatura psicanalítica?
É a primeira vez que como editores nos agrupamos numa equipa de trabalho cujo objectivo é difundir as ideias e os escritos relacionados com a psicanálise e plasma-los na Web. Sabemos que o desafio implica incorporar alguns e abandonar outros. Escolher implica sempre uma renúncia.
Como autores, criadores da palavra escrita, influenciamos através da comunicação. Isto pode favorecer a diversidade e, consequentemente, a multiplicidade de pensamentos e opiniões. O E-Journal também será uma revista para diferentes culturas.
Ao mesmo tempo será a primeira vez para os leitores. Aqueles que conhecem o pensamento de outros, incorporam os conteúdos e, ainda, podem dar as suas opiniões, apresentando as sua suas contribuições num intercâmbio digital.
A primeira vez implica o passado, o presente e o futuro. Nós psicanalistas podemos relacioná-lo com recordar, repetir e elaborar. O tempo no reino do inconsciente não se apresenta numa ordem cronológica, mas tem as características dos ritmos oníricos, uma lógica primária. Segundo esta lógica, o tempo é no inconsciente um tempo conjectural. Não existe a contradição e há um desconhecimento do antes e o depois. Fatalmente repetimos. Repetimos não só no fenômeno da transferência mas também nos actos criativos.
A relação com o futuro vincula-nos a um desafio: o de criar um canal de comunicação que se sustenta e se enriquece em cada publicação. A primeira vez conecta-nos com o início, mas ao mesmo tempo com o único e o diverso. A expectativa de que cada vez seja uma estreia e a aventura de procurar outros discursos e outros interlocutores, faz-nos estar em contacto com a diferença.
Neste sentido, o entrecruzamento entre passado e futuro, não seria a primeira vez mas, antes, a única vez, concebida como experiência única.
 
Liliana Pedron
(tradução de Corina Fernandes)